SÉRGIO PIRES

Só ingenuidade doentia (que ninguém mais têm, a não ser pessoas com algum tipo de deficiência), para imaginar que o crime organizado não tem toda uma estrutura de apoio para seus chefões dentro dos presídios. A grana que rola solta e fácil, ajuda a cooptar até aqueles que deveriam estar acima de qualquer suspeita.

Recentemente, em São Paulo, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Luiz Carlos dos Santos,  foi condenado por integrar organização criminosa. Ele pegou quase 17 anos de cadeia, porque, usando de suas prerrogativas, era parceiro dos bandidos a quem dizia apenas defender. Infelizmente, não foi caso inédito.

Vários advogados, a serviço do crime organizado, já foram pegos em todo o país. Alguns ainda estão respondendo por seus crimes e outros tantos já foram condenados. Aqui mesmo em Porto Velho, o empresário do ramo de construção civil, jogos, distribuição de gás, de cocaina e outros ramos, o poderoso Fernandinho Beira Mar, um dos bandidos mais cruéis do país, usava bilhetinhos para mandar suas ordens para fora do “inexpugnável” (kkkk) Presídio de Segurança Máxima.

Usava a mulher de um preso, que tinha direito ao sexo na prisão (a lei fala em visita íntima, como se o palavreado mudasse alguma coisa!), para continuar mandando assaltar, matar, trucidar, infernizar a vida de quem não está cumprindo pena. Agora, mais uma advogada, que também é jornalista conhecida, Luana Domingos, acaba na cadeia. O que ela fazia, usando da sua dupla profissão? Transmitia ordens do PCC dos presídios do Rio e São Paulo, para que os aliados que estivessem fora da prisão praticassem toda a série de crimes.

Claro que a maioria dos advogados e dos jornalistas não comete crimes. Os bandidos nesses grupos são em número crescente, mas ainda exceções. E as autoridades fazem de conta que todos são bonzinhos, gente legal, imagina que eles iriam ajudar bandidos? Tudo ingenuidade ou lava mãos irresponsável? Ou coisa pior? Ora, qual o presidiário que, na visita íntima, não dá as ordens para sua companheira transmitir aos seus comparsas aqui fora? Então o direito desses bandidos, são maiores dos que os de suas vítimas, que  têm que pagar até com suas vidas, para que os defensores dos direitos dos criminosos imponham suas ideologias podres, à custa do sangue alheio (dos  inocentes)?

Qual o país sério, que não protege sua população dos bandidos, que dá tantos direitos a quem não os merece e, joga tanta gente à mercê do crime? Infelizmente é o nosso Brasil, nossa casa. Depois quando o povão não para de falar em Bolsonaro, esses mesmos malandros fazem de conta que não entendem o porquê! 

DONA RAQUEL E OS DIAMANTES

O site Rondônia Dinâmica lembrou, essa semana, uma ligação da futura Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, com Rondônia. Ela já atuou por aqui e num caso de enorme repercussão, ocorrido em 2002, ou seja, há 15 anos. Naquele ano, Dona Raquel integrou uma força tarefa, que investigava o tráfico de diamantes da Reserva Indígena Roosevelt.

A Polícia Federal havia descoberto um grande esquema de contrabando de diamantes de Rondônia, com a participação de índios Cinta Larga, que levava mais de 20 milhões de dólares por ano de nossa riqueza da Roosevelt para o exterior. A  PF queria autorização para processar e prender os índios que participavam do esquema. A força tarefa da qual a futura Procuradora Geral da República participou, não permitiu. Dois anos depois dessa ação, a crise explodiu dentro da Reserva, quando os índios massacraram 29 garimpeiros, no dia 7 de abril de 2004. Treze anos depois, nenhum dos assassinos foi sequer denunciado pelo Ministério Público.

O ÚLTIMO ESCOLHIDO

Ângelo Angelim também levou consigo uma parte importante da história de Rondônia. Foi um deputado que entrou na Assembleia como o menos votado e só depois de uma recontagem. Para surpresa geral, acabou indicado pelo então Presidente José Sarney,  como o último governador indireto do Estado.  Foi um susto. Os nomes mais cotados da época, já políticos famosos – como Amir Lando, só para citar um exemplo – ficaram pelo caminho.

Assumiu então o novato de Vilhena, que não tinha passado político e se dizia, à época, que nem futuro tinha. Angelim era professor, do interior de São Paulo e se não fez grandes coisas, também não se locupletou. Entrou e saiu do mesmo jeito. Foi substituído por Jerônimo Santana, este sim o primeiro governador eleito do Estado. Angelim morreu aos 82 anos de idade, nesta segunda-feira.

A GUERRA DO UBER

Enfim, o caso dos taxistas contra o Uber teve mais um round. Agora, o  Ministério Público exigiu que os motoristas que se utilizam do aplicativo se regularizem, junto à Secretaria Municipal de Trânsito. A juíza Daniela Nicolai acatou o pedido, recomendando que os representantes do UBER compareçam à Semtran, para a regularização do serviço, no prazo de 15 dias, sob pena de suspensão imediata do serviço.

Os taxistas têm repetido que não são contra o serviço do UBER, mas que o sistema deve ser regularizado, até em proteção aos passageiros. Na semana passada, o prefeito Hildon Chaves comentou, durante participação no programa Papo de Redação da  Rádio Parecis FM, com os Dinossauros, que a Prefeitura não é contra o UBER, mas que o serviço será considerado ilegal, até que esteja totalmente regularizado na Semtran. É um assunto polêmico, que vai levar ainda longo tempo de discussão e recursos no âmbito do Judiciário.

UM NÃO INESPERADO

A Câmara Municipal aprovou, com 15 votos a favor; dois contra e três abstenções (vereadores ausentes), as férias do prefeito Hildon Chaves. Os dois votos contrários foram do oposicionista Aleks Palitot, o que era esperado e da vereadora Cristiane Lopes e, esse sim era um não que ninguém contava.

Cristiane justificou, dizendo que todos os trabalhadores têm férias apenas depois de um ano de trabalho e que achava injusto o prefeito deixar o posto, para descansar, com pouco mais de seis meses no cargo. Já o vereador Alan Queiroz, líder do Prefeito na Câmara, fez uma defesa veemente da licença (que será não remunerada), lembrando os enormes desafios da Prefeitura e a necessidade da convivência familiar, para Hildon Chaves e os seus.
Ninguém perguntou quem assumirá a Prefeitura durante a saída do Prefeito, se o vice Edgar do Boi (não há qualquer impedimento legal para que ele assuma) ou se o presidente da Câmara, Maurício Carvalho. Pelos lados da Prefeitura, só se fala em Edgar.

SAÚDE  NOTURNA

O sucesso de programas de saúde pública realizados à noite, no governo de João Dória, em São Paulo, certamente ajudou a Prefeitura de Porto Velho a criar um sistema semelhante e que, em seu primeiro dia de funcionamento, já demonstrou ser bem sucedido. Tanto o prefeito Hildon Chaves quanto o secretário Alexandre Porto acompanharam de perto o início do atendimento, das 19 horas à meia noite, no posto Maurício Bustani, no bairro Liberdade, pioneiro nessa ação.

No primeiro dia, haviam 80 fichas, mas o número de atendidos superou a meta: foram 95 pessoas beneficiadas com a atenção à sua saúde.  Outro fato inusitado foi registrado no posto: um paciente elogiou a forma correta e atenciosa com que foi atendido pela médica Micéli Skrobot, clínica geral e infectologista. O normal, nos dias de postos superlotados, sem medicamentos e com médicos estressados, são críticas dos pacientes, a maioria delas recheadas de razão. Já no atendimento noturno, a coisa mudou para melhor…

PROMESSAS E MAIS PROMESSAS

Será que dessa vez sai mesmo? Ao visitar as obras do viaduto que ligará a zona sul, na rua Três e Meio, com a avenida Rio de Janeiro, sobre a BR-364, o diretor geral do DNIT nacional jurou de pés juntos que em 100 dias a obra será entregue. Isso mesmo! Aquele monumento à incompetência e ao desrespeito ao dinheiro público, parado há anos, finalmente será entregue à comunidade porto-velhense, garantiu o comandante geral do Dnit, órgão que é um primor para prometer e tem sido uma negação para cumprir promessas. Mesmo assim, dessa vez o encontro na BR teve a presença do senador Valdir Raupp, que testemunhou e deu recibo à promessa.

Raupp tem sido um dos políticos de Rondônia com portas abertas no DNIT e garantiu que, agora vai! Ou seja, se nada mais atrapalhar a obra, ela deve estar pronta lá pelo final de setembro. O próximo passo, garantiram tanto o homem forte do DNIT quanto Raupp, será batalhar para concluir aqueles monumentos à ineficiência e à burrice, parados também na BR, ali na Campos Sales. Não será prometer demais? Vamos esperar para ver…

PERGUNTINHA

Não seria o caso de se abrir mais algumas fábricas de tornozeleiras eletrônicas no Brasil, já que elas podem faltar no mercado, com tanto políticos e empresários corruptos presos?

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