PORTO VELHO – Um fato histórico e outro atual foram realçados na abertura da Semana de Integração Brasil- Bolívia, aberta na noite de segunda-feira, no auditório do Tribunal de Contas. O fato histórico foi narrado pelo empresário, ex-deputado federal constituinte e presidente do Conselho de Representantes da Federação das Indústrias de Rondônia, Chagas Neto, lembrando que a tratativas de integração entre os dois países vem desde o início do século passado.

“As vezes avançam, às vezes dá uma recuada, mas o estágio de integração vivido atualmente é excepcional”, pontuou Chagas.

O presidente do Conselho de Representantes da Fiero presidiu a mesa em que o assessor do Ministério da Defesa da Bolívia, Reymi Luis Ferreira, abordou “as perspectivas de desenvolvimento na integração Brasil-Bolívia”. Chagas Neto citou as tratativas iniciadas no início do século passado pelo Barão do Rio Branco, que resultaram a anexação do atual estado do Acre ao território brasileiro. Até então, a área geográfica onde hoje é o Acre pertencia a Bolívia.

Chagas Neto, Marcelo Thomé e Daniel Pereira

Já o presidente da Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero), Marcelo Thomé, presidiu a mesa em que o vice-governador Daniel Pereira abordou os desafios e as perspectivas de integração de Rondônia com o Departamento (estado) do Beni, destacou que a integração só vai acontecer, de fato, se houver mútuo interesse econômico.

“Felizmente e graças a iniciativas como as do deputado Eurípedes Lebrão e do Governo do Estado – com o vice-governador Daniel impulsionando essa bandeira -, essa relação comercial foi fortemente impulsionada nos últimos anos”, disse Thomé.

O líder do segmento industrial de Rondônia falou das missões empresariais a Bolívia e o quanto elas ajudam nas relações comerciais entre Rondônia e o país vizinho.

O entendimento de Marcelo Thomé sobre a força das relações comerciais na integração entre Brasil e Bolívia é corroborado pelo vice-governador Daniel Pereira.

Thomé disse que compreende a integração como um passo positivo para entre Rondônia e Bolívia. “É claro que essa integração é bem mais ampla e vai além das relações comerciais. A Bolívia oferece excelentes opções turísticas, culturais e também comerciais que muita interessa aos rondonienses”, lembrou.

Thomé realçou ainda os pontos convergentes que podem ajudar a acelerar a desejada integração entre os dois países e citou a execução de projetos como o da hidrelétrica binacional a ser construída na cachoeira do Ribeira, no rio Madeira; a construção da ponte em Guajará-Mirim e a melhoria da infraestrutura de travessia do rio Guaporé, em Costa Marques. São projetos, segundo Marcelo Thomé, que representam passos concretos na política de integração entre os dois países.

Representantes bolivianos asseguram que o país vem passando por momento econômico excepcional e que o Governo boliviano aproveita esse bônus para investir em infraestrutura rodoviária, sobretudo, nos estados que fazem fronteira com Rondônia.

Emater, Embrapa e Idaron

A reciprocidade entre os dois países, notadamente na região do Beni [Amazônia Boliviana] também tem permitido maior intercâmbio nas relações empresariais, institucionais e educacionais entre os dois países. Tanto que na sexta edição da Feira Rondônia Rural Show, em maio deste ano em Ji-Paraná, a comitiva boliviana propôs maior interação tecnológica em áreas de grande importância para o desenvolvimento regional.

A irmandade entre Brasil e Bolívia também é percebida no intercâmbio de estudantes. As universidades bolivianas têm acolhido muitos brasileiros que procuram suas universidades para concluírem cursos de medicina e medicina veterinária e essa questão foi pauta de entre o governador Confúcio Moura e o reitor da Universidad Autônoma Del Beni “José Ballivian” (UAB), M.Sc Luiz Carlos Zambrano Aguirre, que propôs um protocolo de bilateralidade entre os países.

Durante a visita da comitiva a Porto Velho, nesta quarta-feira (5), que teve por objetivo oficializar o protocolo de bilateralidade para o curso de medicina, o Reitor Aguirre trouxe nova proposta: desta vez a ideia é promover um intercâmbio técnico com as instituições do segmento agropecuário, entre as quais, a Emater-RO.

No documento entregue ao diretor-presidente da Emater-RO, Francisco Coutinho, Aguirre propõe “estabelecer relações de cooperação mútua que permita estabelecer convênios para capacitação técnica, concessão de bolsas de estudos, transferência de tecnologias e outras atividades que fortaleçam as relações entra ambas as instituições.”

A proposta prevê um intercâmbio entre a universidade boliviana e as instituições Emater-RO, Embrapa e Idaron, para troca de conhecimentos e tecnologia na cultura do café e do gado leiteiro. Coutinho, acompanhado do diretor técnico e de planejamento, José de Arimateia da Silva, falou das perspectivas da pecuária no estado, contando com a assistência técnica da Emater-RO. E colocou-se à disposição da Universidade para a troca de experiências e desenvolvimento tecnológico.

Também participaram da reunião o vice-reitor, Jesus Eguez Rivero, o diretor de Medicina, Lázaro, Loreto Vine, o encarregado das relações internacionais, Dr. Rolando Villar Anez, e coordenador de pós-graduação Dr. Jorge A. Pedraza, todos da UBA e, pela Emater-RO, o gerente de contratos e convênio, Francisco Sobrinho e a médica veterinária Gilvânia Carvalho.