NAIR FERREIRA GURGEL DO AMARAL (*)
PORTO VELHO – O professor, poeta, músico, compositor Rubens Vaz Cavalcante, mais conhecido por Binho, lançará no próximo sábado, na Casa de Cultura Ivan Marrocos, o livro O menino e o rio. Ele é professor de Literatura da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e já tem outras obras publicadas, dentre as quais os livros Na ponta da Língua, da Editora Miguilim, e Arabescos Aéreos, da Edufro. 

Binho é “beiradeiro” como costumam chamar, na Amazônia, as pessoas que têm contato muito próximo com os rios. Rondoniense de Porto Velho, herdou das águas o encanto pela Arte, fruto de uma infância ribeirinha que propicia contatos espetaculares com as brincadeiras naturais, afastadas de muita tecnologia.

Por tal fato, isso evidencia a imaginação criativa, pautada na vivência com os peixes, mas também com muito cerol, petecas, “betis” e … dá-lhe curica queidando, papagaio cortado e aparado no ar, nada toques, du vera. Uma infância legal que só, maninho. Só podia ser um menino do rio.
O Menino e o Rio é um projeto para encantar leitores de todas as idades. Seja pelo design ousado que envolve ludicamente as crianças aos desdobrar suas páginas sanfonadas a cada conjunto de versos, seja pela ilustração sugestiva que requer interlocução com o leitor.

A Editora Temática acreditou no encanto do boto menino do rio e presenteou a todos com um conjunto de elementos que envolvem o regionalismo, a curiosidade, a ludicidade, a interdisciplinaridade e a poesia.

O livro-poema traz na capa a imagem de um copo com água e um barquinho de papel, metáfora que simboliza o gole de poesia e a navegação que virá a seguir. O menino avoado (maluquinho?) gostava de viajar e o fazia com frequência, flutuando na poesia e navegando pelos rios. Na companhia dos peixes, o menino encontrava o diálogo poético cheio de sonhos coloridos, tesouros e brincadeiras.

Se a piranha possui lindos dentes, vamos de sardinha que gosta de beijos. Se não tem papo com o peixe-boi, com o seu canto o menino convence a arraia a dançar. A viagem prossegue no ritmo cantado que faz brotar pássaros e flores nesse rio onde tudo é possível imaginar: fazer ciranda com os dourados, jogar peteca com os carás, encontrar o boto dançando com o mandi.

O líder, além de ser laranja, era encantado e guerreiro com um exército de jaraquis. Há guerra no rio, confirmou o matupiri: contra a extinção da espécie pelo uso indiscriminado do mercúrio nos garimpos e pelo excesso de lixo. Só restou desculpas para o menino pedir, aplaudido pelo tambaqui. Boto que se preze gosta de presentear com preciosidades: colar de barbatanas, pedras doutro planeta e “o livro novo do Mário Quintana”.

Mas presente não é encanto e o menino queria um: a realidade de volta para escrever um conto. Este aqui que fala de sonhos e encontros, mostrando também o grito desesperado de um rio: o Madeira.
(*) Professora da Universidade Federal de Rondônia – UNIR
Departamento de Línguas Vernáculas