Observado por Chiquilito e Valadares, em visita a uma família periférica

FRANCISCO MATIAS

O dia 28 de janeiro de 1987 seria um dia normal, não fosse a notícia do falecimento do ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira, ocorrida no Rio de Janeiro. De repente se percebeu a grande lacuna que este militar, coronel do exército, fundador do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e do Colégio Militar de Manaus, e ex-prefeito de Manaus, deixaria na formação histórica do estado de Rondônia.

Tudo começou em 1979, quando o presidente da República João Baptista de Oliveira Figueiredo resolveu dar a esse militar, a missão de assumir o governo do Território Federal de Rondônia e dotá-lo das condições políticas, populacionais e econômicas para ser elevado à categoria de Unidade Federada brasileira.

E assim, o coronel aportou em Rondônia e, beneficiado pelo interesse político do governo militar, arrebanhou um verdadeiro exército de técnicos, civis e militares, de ideologias divergentes, de origem dos mais variados rincões do país, e se transformou no “trator”, como gostava de ser chamado, para tocar a grande obra de, em apenas três anos, retirar o Rondônia da inércia típica dos territórios federais e alcançar a categoria de estado federado brasileiro, a 23ª. UF da República Federativa do Brasil.

O coronel Jorge Teixeira de Oliveira governou Rondônia durante seis  anos, em dois períodos diferentes. Entre 1979 e 1981, como Território Federal. Entre 1981 e 1985 como Estado. Nos dois períodos ele foi o mais poderoso agente público e, como governador, foi absoluto até a posse da Assembléia Legislativa, em 1983.

Arguto, experimentado na condução do poder, carismático, maçom, e prestigiado pelo sistema, soube organizar em sua volta técnicos de todas as áreas, que deram os primeiros e definitivos passos para que Rondônia pudesse alcançar os níveis de desenvolvimento socioeconômico e políticos dos dias atuais.

Em 1985, em decorrência das mudanças na estrutura política brasileira, em razão da queda da ditadura militar, ele perdeu apoio e foi demitido do cargo por decisão do presidente José Sarney. Abalado e decepcionado, foi morar no Rio de Janeiro.

Neste 28 de janeiro de 2017, completam-se 23 anos de sua morte.

O autor é historiador e analista político, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia, da Sociedade Brasileira de Escritores e da Academia Rondoniense de Letras (ARL). Colunista do Expressão Rondônia.